Vai viajar de moto pela América do Sul? O seguro viagem não cobre — e a lista tem 12 países
Existe uma exclusão específica para moto como transporte principal em 12 países sul-americanos. É a cláusula que mais surpreende motociclista, e ela vale para todas as coberturas da apólice.
Viajar de moto pela Rota 40, subir os Andes até Ushuaia, cruzar o Atacama — é um dos roteiros mais desejados por motociclista brasileiro. E é justamente onde mora uma das exclusões mais duras do Seguro Viagem Individual da Porto Seguro.
Se a moto é o meio de transporte principal da viagem, a apólice não cobre nada nestes 12 países:
Argentina · Colômbia · Chile · Equador · Venezuela · Bolívia · Paraguai · Peru · Uruguai · Guiana · Suriname · Guiana Francesa
Está na cláusula 5.2, alínea g, das Condições Gerais — e a seção 5.2 começa dizendo que ficam excluídos os acidentes e eventos decorrentes daquilo que ela lista. Não é uma cobertura a menos. É a exclusão valendo sobre o conjunto.
Por que essa exclusão existe
Não é implicância com motociclista. É estatística de sinistro: moto em rodovia de montanha, altitude, estrada de terra e trânsito de país com fiscalização irregular concentra uma severidade que a precificação do produto não comporta.
O que chama atenção é o recorte geográfico. A exclusão não diz "moto". Diz moto nesses países. O que significa que ela é uma regra de cruzamento: nem a moto sozinha, nem o destino sozinho a disparam.
O detalhe que salva a viagem: "transporte principal"
Aqui está a distinção que muda tudo, e ela é a mesma da cláusula 4.8 — o que conta é o transporte principal da viagem, o trajeto de ida ao destino e de volta.
- Você vai de moto do Brasil até o Chile. A moto é o transporte principal. A exclusão se aplica.
- Você voa até Santiago e aluga uma moto para passear dois dias. O transporte principal é o avião. A exclusão da alínea g não é sobre isso.
No segundo caso, aliás, vale lembrar de outra cláusula que costuma passar batido: pilotar qualquer veículo que exija habilitação sem ter a habilitação legal e apropriada exclui a cobertura (5.2, alínea e). Ou seja — alugar moto no exterior sem categoria A na CNH tira sua proteção mesmo numa viagem que chegou de avião.
O que sobra para quem vai de moto mesmo assim
Sendo direto: este produto não é para essa viagem. Não adianta comprar um plano e torcer.
O caminho de quem viaja de moto pela América do Sul costuma ser outro:
- Seguro específico de motociclismo/aventura, geralmente contratado com seguradora especializada, com prêmio bem mais alto e questionário próprio de risco.
- Cobertura via clube ou associação de motociclismo, que às vezes negocia apólice coletiva.
- Assistência médica internacional avulsa, que não é seguro viagem, mas resolve a parte médica — que é a que mais importa.
A Inveru é corretora do grupo Mazzoni & Vieira e distribui produtos Porto Seguro. Este caso está fora do que conseguimos atender, e preferimos dizer isso do que te vender uma apólice que não vai pagar.
O que a gente faz com isso
Quando alguém nos conta que vai de moto para um desses países, o Conselheiro avisa antes de mostrar qualquer plano. Não é gentileza: é a única forma honesta de conduzir a conversa quando a resposta certa é "não compre isto".
A exclusão que ninguém leu é a que mais dói. Ela custa nada para ser dita antes, e custa a viagem inteira quando aparece no sinistro.